Quinta-feira, Outubro 07, 2004

10. PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA

O que conheço de Elfriede Jelinek é a base do filme “A Pianista” que passou recentemente num serão da Dois. Segundo o seu tradutor nacional, a obra de Elfriede Jelinek (“personna non grata” na Áustria) baseia-se numa perspectiva feminina da pornografia masculina, o que só por si dá azo a promessas. Se “A Pianista” for um retrato fiel do livro, não vejo onde esteja a imoralidade. Isabelle Huppert é a actriz pianista do filme, e por aquilo que depreendo é que se trata de uma mulher que não se importa com o que possam pensar dela, imitando os homens em questões sexuais. Não é uma imitação no sentido brejeiro, mas na perspectiva da aceitação da mulher como igual ao homem em termos de expressão da sua sexualidade. E que se um homem fica excitado por ver um casal a ter relações sexuais, a mulher também fica e não há problema algum em assumir isso mesmo. Uma cena forte do filme é quando Huppert se masturba junto de um carro, à noite, enquanto dentro do veículo dois jovens estão a fazer sexo.Pelos vistos, Elfriede Jelinek tem apenas dois livros editados em português: o já referido “A Pianista” e “Lust” (obra que trata de sexo, prazer e pornografia, segundo leio no Público). Contudo, em conversa esta tarde com um livreiro da Póvoa de Varzim, confirmou-me que existe mais um livro publicado – do qual ele não me soube dizer o nome – e que foi editado há uns anos por uma pequena editora de Setúbal.